Rifa online é legal no Brasil?
Rifa online é legal no Brasil apenas com autorização prévia do governo federal, e essa autorização é reservada a entidades sem fins lucrativos — não a pessoas físicas nem a empresas comerciais. O prêmio precisa ser um bem, não dinheiro nem PIX. Vender rifa sem autorização é contravenção penal, e a jurisprudência entende que o ganhador não pode nem exigir o prêmio na justiça.
Atualizado em 20 de outubro de 2026 · Conteúdo informativo. Não substitui orientação jurídica ou contábil.
Por que rifa entra na lei de loteria
Para a lei brasileira, não importa se você chama de rifa, sorteio, ação entre amigos ou campanha. O que define o enquadramento é a mecânica: se as pessoas pagam para concorrer a um prêmio distribuído por sorte, isso é loteria — e loteria no Brasil é monopólio da União.
A base está na Lei 5.768/1971, regulamentada pelo Decreto 70.951/1972. Ela trata da distribuição gratuita de prêmios e dos sorteios autorizados, e define que esse tipo de operação depende de autorização prévia do Ministério da Fazenda. Hoje o órgão responsável é a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF), criada na reorganização do ministério.
Quem organiza sem autorização não está numa zona cinzenta: está praticando contravenção penal. Os tribunais divergem sobre qual artigo do Decreto-Lei 3.688/1941 se aplica — há decisões no artigo 50 (jogo de azar), no 51 (loteria não autorizada) e no 52 —, mas convergem no essencial: é ilícito.
Quem pode pedir autorização (e quem não pode)
O sorteio filantrópico, que é o nome técnico da rifa autorizada, é restrito a entidades sem fins lucrativos. Em regra, entram:
- igrejas e entidades religiosas com CNPJ ativo
- associações e organizações da sociedade civil sem fins lucrativos
- entidades de assistência social, educacionais, culturais e esportivas
E, em regra, ficam de fora:
- pessoa física — o caso mais comum de rifa na internet
- empresa comercial, MEI incluído, quando o objetivo é lucro
- qualquer organizador que não consiga comprovar finalidade social e destinação dos recursos
Atenção:Isto é o ponto que mais surpreende quem vende rifa pela internet: a maior parte das rifas que circulam em redes sociais não tem — e não teria como ter — autorização, porque o organizador é pessoa física.
Por que o prêmio não pode ser dinheiro nem PIX
As regras do sorteio filantrópico preveem prêmio em bem, não em dinheiro. Rifa com prêmio em dinheiro, PIX ou equivalente não se encaixa na autorização — ela se aproxima de loteria pura, que é privativa da União e, na prática, inviável de autorizar para um particular.
Na prática: rifar um carro, uma moto, uma cesta, um eletrônico, um serviço — é o formato que a lei contempla. Rifar "R$ 10.000 no PIX" não é.
O risco que quase ninguém conta: o prêmio não é exigível
Além da sanção administrativa e penal, existe um efeito civil que costuma passar batido. Como a rifa não autorizada é ilícita, a obrigação de entregar o prêmio não é exigível judicialmente.
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais já decidiu nesse sentido em caso de sorteio de veículo: rifa não autorizada equivale a loteria ilegal e não gera obrigação de pagamento do prêmio. A fundamentação costuma citar o artigo 814 do Código Civil e o artigo 69 do Decreto-Lei 6.259/1944.
Ou seja: quem compra número de rifa irregular e ganha pode simplesmente não receber, e não terá como cobrar. É por isso que resultado público e regras claras não são detalhe de marketing — são o que separa uma campanha séria de um prejuízo.
O que é permitido sem autorização
Existe um caminho que não depende de autorização nenhuma, porque não envolve sorteio: arrecadar por doação.
- Vaquinha ou campanha de doação: as pessoas contribuem porque querem apoiar a causa. Não há bilhete, não há sorte, não há prêmio — e portanto não há loteria.
- Venda de produto ou serviço: bazar, rodízio, almoço beneficente, camiseta. É comércio comum, com as obrigações fiscais de comércio comum.
- Doação com brinde para todos os contribuintes: todo mundo recebe, ninguém concorre. Sem elemento de sorte, sem loteria.
A diferença jurídica é exatamente o elemento de sorte. Onde há pagamento para concorrer, há loteria. Onde há contribuição sem disputa de prêmio, não há.
Como a Rifafy se posiciona nisso
A Rifafy é a ferramenta, não a autorização. Nós cuidamos do link, do pagamento por PIX, do controle de números vendidos e da publicação do resultado. A regularidade da campanha é responsabilidade de quem organiza.
Por isso a plataforma oferece, além da rifa, os formatos de vaquinha e doação — que não dependem de autorização — e recomenda, em toda rifa, vincular a apuração a um resultado público como a Loteria Federal, informando nas regras qual extração vale. Isso não substitui a autorização, mas elimina a dúvida sobre a lisura do sorteio.
Se você representa igreja, ONG ou associação, o caminho regular existe e está descrito no guia de autorização. Se você é pessoa física querendo arrecadar, o caminho mais seguro é doação, não rifa.
Perguntas frequentes
Rifa pequena, entre amigos, também precisa de autorização?
A lei não traz um valor mínimo que dispense a autorização. O que define o enquadramento é a mecânica — pagar para concorrer a um prêmio sorteado —, não o tamanho. Rifa pequena e fechada entre conhecidos costuma não despertar fiscalização, mas isso é uma questão de probabilidade de ser autuado, não de legalidade.
Posso fazer rifa se sou MEI ou tenho CNPJ?
Ter CNPJ não resolve. A autorização de sorteio filantrópico é voltada a entidades sem fins lucrativos que comprovem finalidade social e destinação dos recursos. MEI e empresa comercial, em regra, não se encaixam.
E se eu sortear pela Loteria Federal, fica legal?
Não. Vincular a apuração à Loteria Federal resolve a confiança no sorteio — qualquer participante confere o resultado —, mas não substitui a autorização. São duas coisas diferentes: uma é transparência, a outra é licença.
Qual a punição para quem vende rifa sem autorização?
É contravenção penal, prevista no Decreto-Lei 3.688/1941, com possibilidade de multa e prisão simples, além de sanção administrativa da SPA/MF. Há também o efeito civil: a obrigação de entregar o prêmio não é exigível na justiça.
Qual é a alternativa legal mais simples para arrecadar?
Vaquinha ou campanha de doação. Como não há sorteio nem prêmio disputado, não há loteria e não há exigência de autorização federal. É o formato que a Rifafy recomenda para pessoa física.
Fontes
Precisa arrecadar sem esperar autorização?
Vaquinha e campanha de doação não envolvem sorteio e, por isso, não dependem de autorização federal. Na Rifafy os dois formatos usam o mesmo link e o mesmo PIX.
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